Monday, November 17, 2008

Continuo só


Continuo escravo
Escravo das palavras que escrevo

Continuo prisioneiro
Prisioneiro da tinta e do papel

Continuo condenado
Condenado aos textos que escrevo

Continuo castigado
Castigado pelas frases mal interpretadas

Continuo animadvertido
Animadvertido pelo estranho sentido da escrita

Continuo só
Só, por querer imitar o poeta
Só, pela sensação da dor
Só, pelo encontro do ninguém

Esconde apenas o cesto e recomeça


Apercebo-me do lume de um coração esquecido
De um vício cheio de medo
Certeza de um corpo escondido
Alegria de uma fada mentira

Tento perder a memória
Esconder o encontro das nossas vozes
Do garfo que vi agarrares
Carícia que ficou por dar
Enquanto falávamos das ondas do mar
Esquecendo o desejo de algo mais

Não sei para onde foste morrer
Sonhei contigo viva
Cesto cheio de cerejas vermelhas, abandonadas

Pára de me deixares no vazio
Esconde apenas o cesto e recomeça
Abre-me a porta e aperta-me

Corro no hall
Sento-me no tapete

Espero ouvir os teus passos, sentindo o teu abraço…….

Friday, October 24, 2008

Metamorfose da união


Lânguidas fúrias que se estendem no chão
Onde se encontram os nossos corpos
Roçam o afecto esquecendo o quente do simples acto
De fazer sexo

Arredei a garrafa
Quero viver com a tua lembrança
Fico estático quando bebo
Suplico-te que fiques só mais uma noite
Explico-te a razão do meu vício
Não é o sexo
É o quente do teu corpo

Metamorfose da união
Assusta-me o passo seguinte

Invisíveis escadarias
Que nos conduzem para mais um movimento
De mordidelas, lambidelas,
E longos movimentos de penetração

Porco, dizes tu
Mas adoro sentir o teu corpo no meu
O quente das tuas pernas
Na minha mão

E o longo desejo virtual de te tocar na alma….

Sabores agridoces


Agarro-te
Piso-te a sombra
Possuo-te a imagem
Cresce a paisagem construída no nosso sonho

As nuvens pesam no chão húmido
O avermelhado da tua cara
Recorda-me o momento em que estivemos juntos

A tua ausência
Quebra a viva chama dentro de mim

Uma cerveja e mais outra
Um copo de vodka e mais outro

Estou livre para me despir
Agarrar-te e beijar o teu peito
Massajar as tuas pernas e o teu rabo

Perseguir num sonho molhado
Cheio de sabores agridoces

Perco a pedra que nos ocupa o lugar um do outro…………

Tuesday, October 21, 2008

Porque o sonho não tem título……


Arrepios de estendedor de roupa
Que se cruzam com as molas presas às tuas calças

Ruídos de articulações
Que denunciam os passos

Espio-te o levantar
Enquanto fecho e abro os olhos

Guinchos por de trás dos cortinados do chuveiro
O avental ficou mal preso
Perturbou o meu desempenho
Não ficaste satisfeita

Dois panos de cozinha uma pega e o gemido

Pego no lençol e escondo-me
Agarro na mão
E concentro-me nos teus guinchos

Amanhã vou tentar cozinhar melhor….

Monday, October 20, 2008

o toque


o encontro entre nós
não está no espaço
ou no vento
que sopra para todos...

mas sim no toque subtil
a que nos habituamos.....

Tuesday, October 7, 2008

Monte de Vénus


O cuspo que isola o beijo deitado ao chão
As palavras que assustam os momentos da solidão

A tua boca que dardeja o vicio da língua
O sossego que agarra a vantagem de uma experiencia

Poderemos nós juntarmo-nos á noite
Sentir o pó que aconchega a mancha da nossa cama

Por de trás da nossa mascara ficará a felicidade de cada um
À frente escondes o teu sorriso
A pele que cai juntos das folhas, ignorando a estação do ano

Monte de Vénus
Prazer de momentos escolhidos na avidez de uma vida morta
Resta-me apenas chorar e ver-te no meu colo todos os dias……

Vou diluir a tua foto em água e beber….

Tuesday, August 26, 2008

Quando tu não gemes


Estou feliz
Feliz por estar tão triste

Choro como um balde de água
Que cai na cabeça inesperadamente

Gosto, gosto muito …..
O pesadelo do corpo já passou
Já posso estar sozinho, no escuro

Ouvir a minha voz no espelho, sentir o prazer do meu corpo

Subir e descer a rua de paralelos
Já fui
Que não era
E agora voltei a ser

Morto por estar vivo
Respiro a minha tristeza como sendo uma garrafa de oxigénio

Enferrujado pelos tempos
Amo de novo as pessoas
Toco-as e pretendo o som do corpo delas

Grito pela minha tristeza que à muito não a tinha

Agora posso estar sozinho
E dormir sem medo…..

Friday, August 22, 2008

O telefone da tua voz


Na minha vida desfilaram visões
Ilusões que se tornaram realidade
Movimentos de corpos que se deixaram beijar pelos meus lábios

Momentos onde o fresco se tornou o quente de uma vida

Espectros que me levaram o reflexo da imagem
Só deixando o teu cheiro na minha memória
O telefone da tua voz
A minha mão no teu peito

O encontro entre as nossas palavras e os nossos sonhos

Frescos momentos de um filme para a história
Na espiral de estranhas emoções

Sinto as contracções de um corpo flácido
Ajo para o amanhã
Sentindo hoje a verdadeira dor da saudade…..

Wednesday, August 20, 2008


Pelo lado norte entra a tua mão
O vento corta no meio dos dedos
Já não temos afecto
O musgo cresceu nas carícias
Abandonar o encontro não é um simples, estalar nocturno

Vestis-te o vestido de noiva na noite
Em que fiquei com o sabor e a textura do teu interior mais intimo
Acredito no momento feliz
No sobressalto do barco que nos pode atingir

No entanto o azul do céu…

O dedo terá a virtude de afastar o pó do olho
Sossegará o amor, ouvindo a paixão do passado

A crueldade, da vida espera-nos
Apenas um dia, uma hora,
Nem um minuto

Espeto-lhe o furgão do mimo e a ansiedade da felicidade…

Wednesday, August 13, 2008

Os choupais nus


Brigo com as chamas da morte
Piso as folhas queimadas do sol

Varro os sentimentos prateados
Limpo o pó ao orvalho da minha cara

Amancebada a correia ao corpo
Escorrega o dedo na ilusão curta

Pés que sobem
Os choupais nus

Visto o xaile para me proteger dos arrepios

A terra árida
Enche o fundo da minha barriga

O sermão da lua
Passa para o lado mais curto da vida
O dia….

Tuesday, August 12, 2008

Morremos todos os dias


E a minha vida se foi…
Porta que se abriu no momento que se fechou
A arte da dor é a ilusão de um sonho movido a lenha
A tortura das imagens que me tocam
que olham o teu corpo
Um punhado de movimentos que crescem no espaço vazio
O punhal apontado ao meu peito
Aflição que não me deixa respirar sempre que quero

O vestido branco que ficou à porta
As bolas de sabão que voarão, em vez do arroz

A paz que encontrei
Morte que me levou enquanto eu ainda estava vivo
Vida que caiu no regaço da conquista

Morri ficando vivo num espaço que não era o meu
Mão que me agarra o pensamento
Vontade construída por ti

O arco-íris que não chega
Não há sol
Não há chuva

Morremos todos os dias
Vivemos enquanto não dormimos

O encontro entre a tua mão e o meu pé fica à distância de um toque

Monday, August 11, 2008

O tom do quadro do tempo


Há-de flutuar o amor
O tom de toda a nossa cor
O crepúsculo da vida assusta a nossa vinda
No entanto a avalanche não nos derruba


A declinação aproximou a nossa voz
A vontade de estarmos juntos
De incendiar quem nos vê

Como seriam felizes as mulheres se nos vissem
Como seriam felizes os homens se nos olhassem

Inclino o meu corpo para o vosso
Inclinam o corpo para o meu
Ouvem-se os ruídos, do nosso sorriso

Os dias são rápidos
Provas de velocidade que ganhamos a cada momento de graça…

Sim são vocês que me dão colo
Vocês que tiram as cerejas uma a uma e me dão á boca

O tom do quadro do tempo
Parece nunca desaparecer

Ouvir-vos é colher a vontade de estar perto e Contemplar-vos

Hoje pode ser o meu último dia


A saudade embebeda o sol
O céu escuro leva-me a saudar-te com um sorriso

Hoje pode ser o meu último dia
Por isso quero sorrir
Ouvir os pássaros e beber a minha bebida

Fiz sinal de adeus
Movendo o braço e projectando a minha mão

Cresci por dentro
O meu corpo toma outra direcção
Não sei qual
Mas outra é o importante….

Queres algo melhor que o sol
Só se for a chuva
O resto, são ânsias e caminhos cheios de curvas

O que te queria dar era flores e mais flores
Sonhos azuis e rosas
Malmequeres e bem me queres

Hoje pode ser o ultimo dia que não me viste
No entanto pode ser o primeiro que me deixas-te de ver

Só quero broa e tinto e uma sombra

Quero ouvir-te dentro do meu coração e sentir-te dentro de mim…


Hoje voltei a sonhas com o teu sorriso, a lembrar o nosso caminho curto até aqui….

Para mim chega o sol ou a chuva,
Desde que tu me segures sempre o chapéu….

Sunday, August 10, 2008

Virgens não só as palavras como as mulheres


Viagens marcadas pelo sol-poente
Carregadas de palavras silenciosas
Silêncios que assustam o encontro dos dois corpos
E derramam o copo de vinho que se finge não beber

Virgens não só as palavras como as mulheres
Talvez também as almas ocas
Que se ocupam do pano vermelho vestido um único dia

De todas as ilusões ficam apenas as ruínas
Pedras de uma calçada por construir
Rebentos de arbustos condenados á morte
Humanos abodegados com o amor

Virgens que não querem ser tocas
Virgens que não querem ser escritas
Virgens que amassam a sua vida com raiva sem perceber o estilo do seu corpo
Virgens palavras que nos assustam todos os dias quando as ouvimos

Um dia morri porque ouvi uma palavra completamente nova….. AMOR

Thursday, August 7, 2008

Por vezes sonhar é viver....


Por vezes, a gaivota não vem
Por vezes, o sonho é seguido de outro

Por vezes, a paixão é amar-se outra pessoa com grande intensidade

Por vezes, os encontros juntam-se como as pedras

Pessoas que nos procuram o interior e nos atiram o seu aroma
Margens que sentem a vontade de tocar no equilíbrio de uma mão quente

Será que os barcos aguentam o mar agitado
As ancas que abanam na cadeira sem rodas
A vontade que transparece a crepuscular ansiedade de um beijo

Sempre tive dúvidas de mim

Sempre pensei que era bom….

A dúvida entre o mau e o bom fica à distância do teu abraço…. Menina….

Wednesday, August 6, 2008

O ódio mata a alma, o amor tranquiliza o pensamento…..


Eu nunca guardei almas
No entanto a minha história recorda-me várias

Nunca conheci ninguém que guardasse almas
No entanto é como se elas me conhecessem

Do rosto guardo pouco
Sobra apenas o sentimento perdido
de um mundo esquecido

Eu nunca vi almas
No entanto elas perseguem-me

Quando penso que nada mais vai acontecer
Reparo em mim a guardar uma alma

As minhas mãos colhem a vontade de estar por perto
De ouvir o ruído dos carros, de cima
Perto do azul
Do estado gasoso

Para além das montanhas verdes
Ficam as curvas da vida

O ódio movimenta as sílabas da incerteza
O amor encontra o pensamento tranquilo