
Eu nunca guardei almas
No entanto a minha história recorda-me várias
Nunca conheci ninguém que guardasse almas
No entanto é como se elas me conhecessem
Do rosto guardo pouco
Sobra apenas o sentimento perdido
de um mundo esquecido
Eu nunca vi almas
No entanto elas perseguem-me
Quando penso que nada mais vai acontecer
Reparo em mim a guardar uma alma
As minhas mãos colhem a vontade de estar por perto
De ouvir o ruído dos carros, de cima
Perto do azul
Do estado gasoso
Para além das montanhas verdes
Ficam as curvas da vida
O ódio movimenta as sílabas da incerteza
O amor encontra o pensamento tranquilo

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