Monday, November 17, 2008

Continuo só


Continuo escravo
Escravo das palavras que escrevo

Continuo prisioneiro
Prisioneiro da tinta e do papel

Continuo condenado
Condenado aos textos que escrevo

Continuo castigado
Castigado pelas frases mal interpretadas

Continuo animadvertido
Animadvertido pelo estranho sentido da escrita

Continuo só
Só, por querer imitar o poeta
Só, pela sensação da dor
Só, pelo encontro do ninguém

Esconde apenas o cesto e recomeça


Apercebo-me do lume de um coração esquecido
De um vício cheio de medo
Certeza de um corpo escondido
Alegria de uma fada mentira

Tento perder a memória
Esconder o encontro das nossas vozes
Do garfo que vi agarrares
Carícia que ficou por dar
Enquanto falávamos das ondas do mar
Esquecendo o desejo de algo mais

Não sei para onde foste morrer
Sonhei contigo viva
Cesto cheio de cerejas vermelhas, abandonadas

Pára de me deixares no vazio
Esconde apenas o cesto e recomeça
Abre-me a porta e aperta-me

Corro no hall
Sento-me no tapete

Espero ouvir os teus passos, sentindo o teu abraço…….