Sunday, March 1, 2009

Perco a tua imagem

Só tu e eu
É que sabemos
Os segredos, as asas que nos fazem voar

Vertigem de um paraíso
Sonho emancipado
Pela vontade de olhar o futuro

Escrevo a minha loucura na tua tristeza
No som que me guarda a vontade de adolescente
Risco que magoa a tua alma

Rebuçado sem caramelo
Na vontade da escada que sobe e desce
Perco a tua imagem
Ganhando o medo da vida que preciso

Um louco não gosta simplesmente, ama……

Thursday, February 12, 2009

Uma história que chega ao fim

Perdi a minha menina mais velha
A cama ficou vazia em vez de só
O espelho já não reflecte o seu rosto enrugado

Morreu
Morreu sem me dizer adeus
Sem que eu lhe dissesse que a amava para sempre

Deixou-me porque a dor já era imensa
E o desprezo pelo mundo, insuportável

Não estou triste
Não sei para onde foi
Não sei se a volto a ver
Sei que gosto da minha menina mais velha…

Sem o teu corpo
Já não voltarei a ser o mesmo
Já nada importa perspectivar

O espírito não morre
A lembrança fica guarda para os fortes
A paz
A certeza que tudo fiz para me amares, deixa-me descansar
Certezas só no papel branco amontoado na secretária
Que se enroga como as tuas mãos
Protegendo-me da sociedade ingrata e maquiavélica
Como tu sempre me fazias

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Era isso
Isso mesmo
A tua vontade de correr e tocar-me
Assumindo o teu papel, que tanto me importava

Já nada vai ser como antes
Já não quero ter segredos para te contar
Já não quero escrever para tu leres
Já não posso olhar-te
Já não gosto muito desta vida

Marco a minha presença na felicidade de alguém
Sabendo que isso vai acabar…..
por mim, por ti, por aquilo que vivi contigo

Sunday, February 1, 2009

Dor que invade o espelho

O último sonho que tive foi estranho
Via o chão no céu
Pisando o azul fofo do teu mimo

Acordei toda a noite
Na manhã quando acordei sem ter dormido
Parecia que tinha dormido o sonho dos anjos

O encontro com o medo de morrer
Assustou o absurdo som da sobrevivência
Dor que invade o espelho
Deixando o rasto vermelho do corte
Rei lagarto que me assusta
Absorve o veneno e fica perto de alguém que esteja longe de mim

Pegadas entardecias por pétalas vermelhas
Levam-me a acreditar na droga que consumo
O amor
Amor, a droga mais rara e cara do mundo

Querida
Dança apenas comigo e deixa o som invadir o nosso corpo
Descobrindo o rumo certo
da nossa felicidade…..

Wednesday, January 28, 2009

A droga mais cara do mundo

Vou entrando
Como se fosses tu a chegar
Aperto o teu corpo contra o meu
Toco a tua pele com a minha

A humidade do teu colo
Lembra-me a vontade de te dar mimo
Construindo o elixir do prazer

Navegamos novamente
Ao sabor da droga mais cara do mundo
O amor eterno…..

Tuesday, January 27, 2009

Hoje posso compreender toda a minha história

Mal, todo o dia angustiado
Com a perca da minha solidão
Gigantescas superfícies que me cobrem
Plagiando a única duvida que tenho
Medo, o medo de não conseguir
Fazer alguém feliz

Tu
Eu
Toda a cumplicidade posta na mesa
a impressão nítida de deixar o mundo

tomo o café da manhã
e ainda sinto o teu cheiro, a vontade de dividir a torrada

quantos anos mais

serão simples momentos de felicidade que te posso oferecer…..

Sunday, January 18, 2009

Já não vais embora


Hoje a música lembra-me de ti

Encontro o recanto do teu colo
Nesse perfume
Passo a vida para trás e descubro-te ao meu lado
Como se estivesses sempre comigo

Sento-me e fecho os olhos
Já não vais embora
Ficas comigo até ao fim

Posso morrer hoje
Mas sei que ontem estive contigo

Estar doente é uma partilha
Um egoísmo que quero ter contigo

As pedras movem-se em silêncio
E tu continuas aí

Parto para a nossa viagem, juntos
Sem medo de te ouvir
Sem medo que não me queiras

Porque houve um dia que me fizeste feliz
Ontem e hoje e talvez com muita certeza amanhã….

Saturday, January 10, 2009

o tempo dilui o medo


é tarde
estou longe de ti
o tempo dilui o medo
as horas aumentam a saudade do nosso abraço
na saliva do meu corpo, encontro as tuas pernas
gestos de ternura que me fazem sonhar
habito que me dá o prazer esquecido, a inocente voz amarela
agua inquinada, mas que me mata a sede maltratada por mim durante muito tempo
cuspo da mão para limpar com o meu sangue
o coral que te quero oferecer hoje

Friday, January 2, 2009

As mãos já pouco fazem


Há um grande cansaço na minha alma
As mãos já pouco fazem
Pelo contrário são as únicas que se movimentam

Esperanças e certezas de um corpo que já não é meu
Tento dormir
Olhar-me ao espelho
Sentar-me no sofá sem fazer pó
No entanto apenas encontro os envelopes fechados depois de abertos

Vou ficando com as imagens do passado
Na lembrança de um futuro que não escolhi
Apenas se impôs

O meu nariz já não respira
Deixei cair a sonda no orgulho de não ser ninguém

Escrevo para ela,
Ela que me movimenta subtilmente
Ela que escreve na pedra o futuro
Aquela senhora que um dia abriu a porta e saiu….

Apesar de a porta estar fechada a janela continua entre aberta